domingo, 14 de outubro de 2012

O que é mais importante, a gestão da Prefeitura ou o prefeito?


Uma semana depois das votações do dia 07 de outubro que resultaram na “reeleição” do deputado Luiz Carlos Setim a prefeito de São José dos Pinhais – reeleição sim, pois ele foi reconduzido ao cargo que administrou de 1997 a 2004, sendo o único na história da cidade reeleito –, faço uma análise da eleição 2012, e um pouco da penúltima eleição, em 2008, que mudaram totalmente a forma como São José dos Pinhais se relaciona com as urnas. E que venha o segundo turno em 2016.

Rejeição da Prefeitura é diferente do prefeito
Os prefeitos Leopoldo Meyer (antigamente PSDB e atualmente PSB) e Ivan Rodrigues (antigamente PTB e atualmente PSD) não foram reeleitos. Em 2008, a população dizia que a administração até que era razoável, mas o prefeito Meyer não era carismático nos eventos institucionais e festas, e perdeu a afinidade com empresários e formadores de opinião. De Ivan, reclamavam em 2012 que era pior ainda que Meyer, pois ele não ia aos eventos institucionais e festas, e encarou muitas questões, como as reclamações quanto ao fato de ter derrubado a sede do Executivo, o antigo casarão, de forma pessoal. Pelo resultado das urnas dia 07, a população quer um prefeito administrador e carismático e este é o principal perfil de Luiz Carlos Setim.

A proximidade entre o gestor e a população trata-se de uma carência diferente em cidades grandes, pois em Curitiba, contando as administrações Lerner, Taniguchi, Beto Richa e Ducci, o curitibano nunca ligou para isso.

Um vereador, antes da eleição de São José dos Pinhais, no começo do ano, dizia que a população dava nota 5 a 6 para a Prefeitura e 3 a 4 para o prefeito Ivan. A campanha iria tentar mostrar que estas notas médias para a Prefeitura tinham como responsável o prefeito, mas essa ligação não deu certo e a grande rejeição a Ivan Rodrigues o colocou em terceiro na eleição.

Ivan teve uma posição rígida ao defender que o seu interesse maior era a administração do que o contato com a população: “Não vou por minha barriga de bar em bar para ser popular. Não vou a enterro de quem não conheço. Esse pensamento é coisa de vila”, disse uma vez o prefeito Ivan Rodrigues com exclusividade ao PautaSJP.com, em reportagem publicada quando saiu oficialmente candidato à reeleição. Com mais de 12 mil votos a menos do que em 2008, o prefeito Ivan perdeu cerca de 3 mil votos por ano de mandato.

Estratégia macro e voto mínimo
Ao final de 2011 e começo de 2012, a principal estratégia política de Ivan Rodrigues para vencer a eleição foi enfraquecer as legendas opositoras ao seu governo como o PSDB, o PMDB e o DEM. No caso do PSDB, chegou a colocar lideranças tucanas em pastas importantes do secretariado. Estas articulações não resultaram em mais votos.

Resultado faria um quarto candidato
Setim venceu na coligação PSDB/DEM/PSB/PTB/PP/PTdoB/PRP, com 54.950 votos (39,97%), tendo como vice-prefeito eleito Toninho da Farmácia. O empresário Rodrigo da Rocha Loures, da coligação PMDB/PV, teve 36.446 votos (26,51%) e o prefeito Ivan Rodrigues, da coligação PSD/PRB/PDT/PT/PSL/PSC/PR/PRTB/PHS/PMN/PPL/PCdoB, somou 35.354 votos (25,72%). A médica Carla Gapski,da coligação PSDC/PPS,recebeu 10.531 votos (7,66%). José Augusto do PCB teve 191 votos (0,14%).

Nas eleições deste ano, em 491 urnas e 21 locais de votação, 24.981 pessoas (14,02%) não votaram. Compareceram 153.170 eleitores (85,98%). Os votos nulos foram 7.978 (5,21%) e brancos 7.720 (5,04%). Caso houvesse um quarto grande concorrente na disputa, em hipótese, que somasse as abstenções, mais nulos e brancos, o suposto candidato faria o segundo lugar com 40. 679 votos.

Segundo Turno
Com mais 22 mil eleitores São José dos Pinhais terá segundo turno em 2016, o que vai gerar na cidade uma forma bem diferente de formação das coligações. Como a cidade tem cerca de seis mil eleitores a mais por ano, o que dá 24 mil, em quatro anos, pela média, é segundo turno na certa.

Terceira via funciona
Ser a terceira via funcionou para Ivan Rodrigues em 2008 quando se tornou prefeito e para Rocha Loures em 2012, quando ficou na frente de Ivan. Antigamente, ser a terceira via nas eleições de São José não adiantava nada, como ocorreu com os ex-prefeitos Moacir Piovesan e João Ferreira, quando eles saíram candidatos anos depois de encerrarem seus mandatos.

Pesquisas erraram feio
As pesquisas do Jornal Metrópole com diferentes institutos de levantamento de dados, apesar de terem margens técnicas de falta de acerto de 3%, erraram feio. Elas davam Setim com 48% ou 45% e ele ganhou com 39%. Mostravam Ivan com 16% a 19% e ele teve 25%. Quanto a Rocha Loures, que teve 26%, foi uma avaliação pior ainda, pois davam entre 7% e 14%.

Ivan perdeu na catraca
Em 30 de janeiro de 2011, ao contrário da divulgação por dois meses para motoristas da mudança de sentido de ruas, os quase 100 mil passageiros de ônibus foram pegos de surpresa, pois não sabiam das mudanças de pontos de ônibus e alterações de itinerários. No dia 24 de setembro de 2012, o fato dos usuários não pagarem a segunda passagem, como integração do transporte coletivo, não foi o suficiente para que os passageiros esquecessem os transtornos do ano anterior e votassem em Ivan.

Mais 3 anos e meio em que os partidos não fazem nada
Como jornalista há 19 anos, e desde 2005, acompanhando diretamemte  a política em São José dos Pinhais, fui convidado apenas uma vez por um partido para um evento público de discussão de ideias políticas. Depois da eleição municipal, as legendas ficam três anos e meio se preparando para a próxima campanha municipal e não fazem nada para discutir a Política sobre a juventude, segurança e educação, temas que sempre aparecem em período eleitoral.

Marcos Rosa Filho – formado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUC-PR, proprietário e editor do PautaSJP.com, site que também tem como conteúdo o blog PautaRMC.
Bairro Borda do Campo, rua do Colégio Estadual Tiradentes,
onde votam mais de 8 mil eleitores de SJP

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